quinta-feira, 16 de maio de 2013
Obras Líricas de Camões:
* 1595 - Amor é fogo que arde sem se ver
* 1595 - Eu cantarei o amor tão docemente
* 1595 - Verdes são os campos
* 1595 - Que me quereis, perpétuas saudades?
* 1595 - Sobolos rios que vão
* 1595 - Transforma-se o amador na cousa amada
* 1595 - Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
* 1595 - Quem diz que Amor é falso ou enganoso
* 1595 - Sete anos de pastor Jacob servia
* 1595 - Alma minha gentil, que te partiste
quarta-feira, 15 de maio de 2013
terça-feira, 14 de maio de 2013
Apaixone-se também ...
Como ando inspirado, escrevi um versinho para os apaixonados de plantão ...
Entre no clima junto comigo ;)
Verdes são os campos
Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.
Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.
Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.
Luís Vaz de Camões
Eu cantarei o amor tão docemente
Eu cantarei de amor tão docemente,
Por uns termos em si tão concertados,
Que dois mil acidentes namorados
Faça sentir ao peito que não sente.
Farei que amor a todos avivente,
Pintando mil segredos delicados,
Brandas iras, suspiros magoados,
Temerosa ousadia e pena ausente.
Também, Senhora, do desprezo honesto
De vossa vista branda e rigorosa,
Contentar-me-ei dizendo a menor parte.
Porém, pera cantar de vosso gesto
A composição alta e milagrosa
Aqui falta saber, engenho e arte.
Luís Vaz de Camões
Amor é fogo que arde sem se ver
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?
Luís Vaz de Camões
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