segunda-feira, 20 de maio de 2013

Luís, o poeta salva a nado o poema


Era uma vez
um português
de Portugal.
O nome Luís
há-de bastar
toda a nação
ouviu falar.
Estala a guerra
e Portugal
chama Luís
para embarcar.
Na guerra andou
a guerrear
e perde um olho
por Portugal.
Livre da morte
pôs-se a contar
o que sabia
de Portugal.
Dias e dias
grande pensar
juntou Luís
a recordar.
Ficou um livro
ao terminar.
muito importante
para estudar:
Ia num barco
ia no mar
e a tormenta
vá d'estalar.
Mais do que a vida
há-de guardar
o barco a pique
Luís a nadar.
Fora da água
um braço no ar
na mão o livro
há-de salvar.
Nada que nada
sempre a nadar
livro perdido
no alto mar.
_ Mar ignorante
que queres roubar?
A minha vida
ou este cantar?
A vida é minha
ta posso dar
mas este livro
há-de ficar.
Estas palavras
hão-de durar
por minha vida
quero jurar.
Tira-me as forças
podes matar
a minha alma
sabe voar.
Sou português
de Portugal
depois de morto
não vou mudar.
Sou português
de Portugal
acaba a vida
e sigo igual.
Meu corpo é Terra
de Portugal
e morto é ilha
no alto mar.
Há portugueses
a navegar
por sobre as ondas
me hão-de achar.
A vida morta
aqui a boiar
mas não o livro
se há-de molhar.
Estas palavras
vão alegrar
a minha gente
de um só pensar.
À nossa terra
irão parar
lá toda a gente
há-de gostar.
Só uma coisa
vão olvidar
o seu autor
aqui a nadar.
É fado nosso
é nacional
não há portugueses
há Portugal.
Saudades tenho
mil e sem par
saudade é vida
sem se lograr.
A minha vida
vai acabar
mas estes versos
hão-de gravar.
O livro é este
é este o canto
assim se pensa
em Portugal.
Depois de pronto
faltava dar
a minha vida
para o salvar.


Almada Negreiros


Soneto

Erros meus, má fortuna, amor ardente
em minha perdição se conjuraram;
os erros e a fortuna sobejaram,
que para mim bastava o amor somente.

Tudo passei; mas Tejo tão presente
a grande dor das cousas, que passaram,
que as magoadas iras me ensinaram
a não querer já nunca ser contente.

Errei todo o discurso de meus anos;
dei causa que a Fortuna castigasse
as minhas mal fundadas esperanças.

De amor não vi senão breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse que fartasse
este meu duro génio de vinganças!

 Luís Vaz de Camões


O soneto de Camões, publicado pela 1ª vez em 1616, é aqui transcrito com actualização ortográfica de Maria de Lurdes Saraiva, e consta de Lírica Completa II, INCM, 1980.

Ah o Amor ...


"Como é bonito ver meu soneto escrito de forma diferente ...
Esse formato, completa sua mensagem, não acham?" ;)





domingo, 19 de maio de 2013

As 5 mais!





Minhas melhores frases selecionadas, especialmente neste vídeo!

sexta-feira, 17 de maio de 2013

O desconcerto do mundo


Pieter Brueghel, o velho (1525/30-1569)


Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E, para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado:
Assim que, só para mim,
Anda o mundo concertado.

Quem pode ser do mundo tão quieto,
Ou quem terá tão livre o pensamento,
Quem tão experimentado e tão discreto,
Tão fora, enfim, de humano entendimento
Que, ou com publico efeito, ou com secreto,
Lhe não revolva e espante o sentimento,
Deixando-lhe o juízo quase incerto,
ver e notar do mundo o desconcerto?
Quem há que veja aquele que vivia
De latrocínios, mortes e adultérios,
Que ao juízo das gentes merecia
Perpétua pena, imensos vitupérios,
Se a Fortuna em contrário o leva e guia,
Mostrando, enfim, que tudo são mistérios,
Em alteza de estados triunfante,
Que, por livre que seja não se espante?
Quem há que veja aquele que tão clara
Teve a vida que em tudo por perfeito
O próprio Momo às gentes o julgara,
Ainda que lhe vira aberto o peito,
Se a má Fortuna, ao bem somente avara,
O reprime e lhe nega seu direito,
Que lhe não fique o peito congelado,
Por mais e mais que seja experimentado?

Mas para onde me leva a fantasia?
Porque imagino em bem-aventuranças,
Se tão longe a Fortuna me desvia
Que inda me não consente as esperanças?
Se um novo pensamento Amor me cria
Onde o lugar, o tempo, as esquivanças
Do bem me fazem tão desamparado
Que não pode ser mais que imaginado?
Fortuna, enfim, co’o Amor se conjurou
Contra mim, porque mais me magoasse:
Amor a um vão desejo me obrigou,
Só para que a Fortuna me negasse.
A este estado o tempo me achegou,
E nele quis que a vida se acabasse;
Se há em mim acabar-se, que eu não creio;
Que até da muita vida me receio.


 Luís Vaz de Camões

Homenagem para Camões



Camões, o poeta
Deu sua vida,
Por sua obra predilecta,
Dos portugueses,
A mais querida.
Muito tempo demorou,
A escrevê-la, com certeza,
Mas ninguém,
Por mais sábio que seja,
Consegue repetir sua proeza.
Alexandre Cunha.

Coitado de Jacob!


quinta-feira, 16 de maio de 2013

Do Caolho, com amor, pra você ...


Ahhhh ...... estou aqui já bocejando e pra fecharmos bem este dia e começarmos um melhor ainda, que tal refletirmos com meu poema logo em seguida?

;)

#BoaNoiteDoCaolho







A obra mais importante de Camões!

"Os Lusíadas" fala das aventuras vividas durante a viagem de Vasco da Gama em busca do caminho para as Índias.


Luis Vaz de Camões


Momento reflexão...


Momento distração...


Camões principal autor do Classicismo.

O classicismo foi um movimento cultural que valorizava e resgatava elementos artísticos da cultura clássica (greco-romana). Nas artes plásticas, teatro e literatura, o classicismo ocorreu no período do Renascimento Cultural (séc XIV ao XVI).

Características do Classicismo

•Valorização dos aspectos culturais e filosóficos da cultura das antigas Grécia e Roma;

•Influência do pensamento humanista;

•Antropocentrismo: o homem como centro do universo;

•Críticas as explicações e a visão de mundo pautada pela religião;

•Racionalismo: valorização das explicações baseadas na ciência;

•Busca do equilíbrio, rigor e pureza formal;

•Universalismo: abordagem de temas universais como, por exemplo, os sentimentos humanos.

Obras Líricas de Camões:


* 1595 - Amor é fogo que arde sem se ver
* 1595 - Eu cantarei o amor tão docemente
* 1595 - Verdes são os campos
* 1595 - Que me quereis, perpétuas saudades?
* 1595 - Sobolos rios que vão
* 1595 - Transforma-se o amador na cousa amada
* 1595 - Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
* 1595 - Quem diz que Amor é falso ou enganoso
* 1595 - Sete anos de pastor Jacob servia
* 1595 - Alma minha gentil, que te partiste

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Para descontrair ...

O real motivo por qual caolho fiquei ...

Rsrsrs ...
Pode rir, eu deixo ;)

#PiadinhaDoCaolho


terça-feira, 14 de maio de 2013

Apaixone-se também ...


Como ando inspirado, escrevi um versinho para os apaixonados de plantão ...

Entre no clima junto comigo ;)

Verdes são os campos


Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.

Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.

Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

Luís Vaz de Camões

Eu cantarei o amor tão docemente


Eu cantarei de amor tão docemente, 
Por uns termos em si tão concertados,
Que dois mil acidentes namorados
Faça sentir ao peito que não sente.

Farei que amor a todos avivente,
Pintando mil segredos delicados,
Brandas iras, suspiros magoados,
Temerosa ousadia e pena ausente.

Também, Senhora, do desprezo honesto
De vossa vista branda e rigorosa,
Contentar-me-ei dizendo a menor parte.

Porém, pera cantar de vosso gesto
A composição alta e milagrosa
Aqui falta saber, engenho e arte.


Luís Vaz de Camões

Amor é fogo que arde sem se ver

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?



Luís Vaz de Camões