em minha perdição se conjuraram;
os erros e a fortuna sobejaram,
que para mim bastava o amor somente.
os erros e a fortuna sobejaram,
que para mim bastava o amor somente.
Tudo passei; mas Tejo tão presente
a grande dor das cousas, que passaram,
que as magoadas iras me ensinaram
a não querer já nunca ser contente.
a grande dor das cousas, que passaram,
que as magoadas iras me ensinaram
a não querer já nunca ser contente.
Errei todo o discurso de meus anos;
dei causa que a Fortuna castigasse
as minhas mal fundadas esperanças.
dei causa que a Fortuna castigasse
as minhas mal fundadas esperanças.
De amor não vi senão breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse que fartasse
este meu duro génio de vinganças!
Oh! quem tanto pudesse que fartasse
este meu duro génio de vinganças!
Luís Vaz de Camões
O soneto de Camões, publicado pela 1ª vez em 1616, é aqui
transcrito com actualização ortográfica de Maria de Lurdes Saraiva, e consta de
Lírica Completa II, INCM, 1980.
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